DISTRAÇÕES_i_IMAGENS

...um olhar sobre... as minhas IMAGENS preferidas e algumas DISTRAÇÕES ...

"A fotografia é a poesia da imobilidade: é através da fotografia que os instantes deixam-se ver tal como são." (Peter Urmenyi)

"A dignidade pessoal e a honra não podem ser protegidas por outros. Devem ser zeladas pelo indivíduo em particular" (Mahatma Gandhi)

"Para viajar, basta existir. " ( Fernando Pessoa )

segunda-feira, outubro 26, 2009

Fomos à FEIRA DA LADRA

Um lugar de Encontros….
Um lugar de encontros de Gentes, Amores, Culturas e Destinos….
Um lugar de Desencontros….
Um lugar de Misturas de Odores, Leituras, Interesses, …… coisas
Uma mistura de Palavras ……




No passado Sábado dia 24 de Outubro, fomos à Feira da Ladra.
Já não íamos à Feira da Ladra há muitos anos.
Da última vez, comprámos uns Ferros de Engomar antigos e até comprámos uma cama de casal. Ainda hoje existem na nossa casa.
Considero este, um lugar com algum “misticismo”. É de certeza um lugar diferente.
Uma miscelânea de pessoas, de gentes provenientes de todos os quadrantes sócio - culturais.

Algumas delas com cultura e conhecimentos invejáveis.
Rostos e Vidas diferentes deambulam pelas “ruelas e caminhos” da Feira da Ladra.

Rostos e Vidas diferentes vendem e compram…
Vendem e compram antiguidades, culturas, gastronomia.

Vendem e compram literatura, música …..
De tudo se vende e de tudo se compra na Feira da Ladra.



Actualmente a Feira da Ladra está desde 1883 instalada no Campo de Santa Clara, mesmo no centro de Lisboa. É uma das feiras mais antigas do país, penso eu. É de certeza uma feira única no nosso país à beira mar plantado.


Senti-me diferente, ao deambular por aquelas ruas, entre bancas e escaparates, um lugar que embora pareça sem ordem, tem ordem.
Senti-me, naquele lugar diferente, diferente também.


Não queríamos comprar nada em especial.
Eu apenas queria ver e observar. Olhar as pessoas, ver os rostos das gentes da Feira da Ladra.

No meio do nosso passeio, entre conversas e afirmações da veracidade do valor de uma ou outra peça, da sua antiguidade, do “regateio” até se encontrar um preço “justo”, … sim porque o preço “marcado” é tradição ser “regateado”,… ouvi alguém tocar acordeon.

Perguntei, ao dono da “banca” onde se vendiam acordeons e concertinas, quem era aquele homem. Respondeu-me que era um Eng. de Máquinas, tinha imigrado para o nosso país, vindo da Moldávia.

Não foi até Ellis Island.

Tocava com “Alma”.
Tocava com o “Coração”.

Que bem que tocava!



Chegou a hora, tínhamos de partir.


Olhámos um para o outro e dissemos que, tínhamos que voltar, para outro passeio à Feira da Ladra. Não íamos de certeza deixar passar tanto tempo.
Não é para comprar nada. É só para ir à Feira da Ladra.
Ops……, esqueci-me !
Ainda fizemos compras. Como sou coleccionador de Isqueiros, comprei dois isqueiros. A Teresa, comprou um vestido, bem bonito por sinal, feito por uma artesã que também vendia os vestidos e comprou ainda um caderno para escrever as “suas coisas”, com a capa decorada por uma jovem, que também os vendia.


É que na Feira da Ladra também há muita gente com iniciativa, com Arte na Alma e nas Mãos.



Gostei de ir à Feira da Ladra.
Gostei de estar aqui.

(Todas as fotografias são de Teresa e Fernando)
(Algumas foram "trabalhadas" informáticamente)



sexta-feira, outubro 23, 2009

quinta-feira, outubro 22, 2009

GUGGENHEIM, MUSEUS DO MUNDO E PARA O MUNDO

Ontem foi 21 de Outubro de 1959.
Neste dia, nasceu, em New York, um “bebé” para o Mundo.
Situado no Central Park e virado para a 5th. Av., surge o MUSEU SOLOMON GUGGENHEIM.


Faz hoje 50 anos que foi inaugurado.

Museu Solomon Guggenheim de New York


Museu Solomon Guggenheim de New York

O primeiro museu da Fundação Solomon Guggenheim, criada em 1937 pelo filantropo Solomon Guggenheim e pela artista Hilla von Rebay, foi inaugurado em 1939, e chamava-se o “Museu da Pintura Não-objectiva”, tendo sido aberto num pequeno espaço em Manhattan.
Alguns anos depois Frank Lloyd Wright concebeu um espaço, considerando-o um “Templo do Espírito”.
Em 21 de Outubro de 1959, abria este espaço, que o arquitecto já não o chegou a ver, dado que faleceu em Abril de 1959.
Foi muito criticado na altura, sendo hoje um dos espaços mais conhecidos e visitados do mundo. Dá privilégio, em termos arquitectónicos, às formas geométricas e à sua pureza em termos da definição de espaços. Frank Lloyd Wright não queria certamente desenhar mais um museu. Queria e conseguiu desenhar e criar um MUSEU.

A fundação é responsável pela gestão de diversos museus a nível internacional. Entre eles destacam-se :


Museu Solomon Guggenheim em New York


Museu Solomon Guggenheim de New York

Museu Guggenheim em Bilbao – inaugurado em 1997, tendo sido projectado pelo Arq. Frank Gehry;

Colecção Peggy Guggenheim em Veneza;
Deutsche Guggenheim em Berlim;
Guggenheim Las Vegas e o Guggeinheim Hermitage ambos em Las Vegas;


Já estivemos ao pé de 3 e visitámos 2, em New York e em Bilbau.
Deixo-vos aqui uma pequeníssima amostra, que foi possível registar, de dois : em New York e em Bilbau.
Em ambos, a arquitectura de vanguarda, os espaços, a luz que entra pelas janelas, as formas geométricas que definem os espaços. Tanto num como noutro museu, a sua arquitectura está de acordo com as obras expostas, tantos em termos de exposições permanentes como temporárias.

Mostro-vos de seguida algumas imagens do Museu Guggenheim em Bilbau.






Gostei de estar no Museu Guggenheim de New York.
Gostei de estar Guggenheim de Bilbau.

(Todas as Fotografias são de Teresa e Fernando)

segunda-feira, outubro 19, 2009

A Liberdade em Imagens e pouco mais...


“ The new Colossus “
Emma Lazarus
(1849 – 1887)

Não como o gigante bronzeado de grega fama,
Com pernas abertas e conquistadoras a abarcar a terra
Aqui nos nossos portões banhados pelo mar e dourados pelo sol, se erguerá
Uma mulher poderosa, com uma tocha cuja chama
É o relâmpago aprisionado e seu nome
Mãe dos Exílios. Do farol de sua mão
Brilha um acolhedor abraço universal; Os seus suaves olhos
Comandam o porto unido por pontes que enquadram cidades gémeas.
“Mantenham antigas terras sua pompa histórica!” grita ela
Com lábios silenciosos “Dai-me os seus fatigados, os seus pobres,
As suas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade
O miserável refugo das suas costas apinhadas.
Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades,
Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado.


Retirado de “ruadajudiaria.com”


Estas são as palavras, que se encontram inscritas no pedestal da Estátua da Liberdade e que foram o contributo da poetisa Emma Lazarus, para um leilão para a recolha de fundos em 1885.

A Estátua da Liberdade, símbolo dos Estados Unidos da América, foi doada pelo governo francês, em 1875, tendo chegado a solo americano em 1885.

Foi inaugurada em 28 de Outubro de 1886, após a construção do seu pedestal, e posterior montagem, na comemoração do centenário da assinatura da Declaração da Independência dos Estados Unidos.

Tem 92 metros de altura, considerando o seu pedestal.

Na mão direita a "Tocha dourada" como que um sinal e indicação do caminho com rumo à Liberdade.

Na mão esquerda um livro com a data de 4 de Julho, Dia da Independência .

Situada em Liberty Island, na foz do Rio Hudson, foram estas as primeiras imagens que milhares, para não dizer milhões de imigrantes tiveram e recordaram para sempre, da sua chegada à "terra do sonho e esperança".

Da história da Estátua da Liberdade e da história de Ellis Island já muito se escreveu e de certeza muito melhor do que estas palavras.

Mesmo assim, queria dizer que estivemos em Liberty Island (a Ilha da Liberdade) e ainda hoje, ao visitar estes monumentos se sente uma carga simbólica de grande dimensão.´

São bem actuais, para quem visita a Estátua da Liberdade, as palavras proferidas pelo Presidente Grover Cleveland, em 1886 aquando da inauguração :


" ... a Liberdade tem aqui a sua pátria ....."


Gostei de conhecer esta "Senhora".
Gostei de estar em Liberty Island.


(Alguma informação retirada de "ruadajudiaria.com")
(Todas as fotografias são de Teresa e Fernando / Agosto 2008)

quinta-feira, outubro 15, 2009

Comentário de um "Saloio" e "Provinciano"


Não tenho por hábito escrever sobre este tipo de assuntos.
Não tenho normalmente por hábito sentir-me ofendido, por qualquer pessoa, que diga "mal" de Portugal, ou goze com os portugueses como povo.
Depende, nem toda a gente me ofende, ou tem essa capacidade.

Agora, desculpem-me qualquer coisinha, mas a Srª Maitê Proença, não me ofendeu, como "Português", por alguns comentários mais ou menos depreciativos, que fez numa das suas visitas ao meu país, até porque também não lhe reconheço essa capacidade.

Segundo parece, e digo parece, porque também não tenho por hábito ver programas de televisão do género, e o conhecimento que tenho foi apenas adquirido das imagens que vi no Youtube, a Srª Maitê Proença, teceu comentários sobre Portugal e o seu Povo porque em algum lugar da Vila de Sintra, apenas e só estava uma placa com um número de porta, colocada ao contrário, ou ainda porque o funcionário do hotel não lhe resolveu o seu "problema informático", ou porque os portugueses são esquisitos, ou porque "Manuel" tinha bom gosto (El Rei D. Manuel).
A propósito não sabia que no Brasil, nos hoteis um dos serviços em oferta, era a assistência informática prestada por técnicos qualificados.

Não "reparou" na beleza e história da Vila de Sintra, nas referências artísticas, nas casas e monumentos, no Palácio da Vila, no Palácio da Pena,....., e apenas nesta visita, sem falar do resto do país.

Até aqui nada feriu o meu orgulho nacional. Sou superior a este tipo de comentários; até aqui, e estou a falar das imagens que vi, apenas revelavam um forte desconhecimento a tocar as franjas da ignorância (se é que não se tinha afogado já), sobre o nosso país, que é PORTUGAL e da nossa história.
A Vila de Sintra era uma "vilazinha".

Agora, não sei se me ofende ou se enoja, que a Srª Maitê Proença, tenha, "por graça" ou "por brincadeira" CUSPIDO no lago de uma fonte que se encontra num local classificado como MONUMENTO NACIONAL - Mosteiro dos Jerónimos.

Isto não me ofende mas enoja-me. Desculpem-me a expressão, tenho de baixar o nível, mas dizia eu, pela "javardice " deste tipo de acção, senti nojo.
Então eu ando a ensinar aos meus filhos, as regras da Boa Educação e de bom Comportamento em Sociedade, e esta Srª acha "engraçado" cuspir, e mostrar estas imagens no seu programa de televisão?
(Não preciso que me respondam.)

Penso que não é só a "Saia" que é "justa", mas a inteligência também não muito grande.

E depois, eu que até nem sabia nada deste assunto, se calhar estou mal informado, ainda me custa mais, e aqui sim, talvez me ofenda não só como Português, mas principalmente como pessoa, que me chamem " Provinciano", "Saloio" e até "Complexado".

Se um qualquer português, saloio, provinciano ou até complexado, ou não, fosse visto a cuspir para uma fonte que pode ser vista e visitada por milhares de pessoas de qualquer parte do mundo, que até está neste caso num monumento, ou para qualquer tipo de fonte, não faltariam críticas, conversas depreciativas e talvez fosse apelidado de "porco".
Agora à Srª Maitê Proença, temos de achar "piada".
Além de uma série de incorrecções que cometeu ao longo da pequena amostra que vi, ainda tenho de achar piada à atitude.
Por favor, um dos nossos principais problemas é acharmos, em termos gerais, que tudo o que vem de fora é que é bom e temos de ser tolerantes.
Acho que sim devemos ser tolerantes mas também devemos ser críticos, exigentes e rigorosos.
Para mim, não é uma questão de orgulho nacional. Sinto-me orgulhoso em ser "Português".
Também "brinco" com os alentejanos, quantas anedotas não temos nós. É normal, mas não é ofensivo.

Agora chamarem-me Saloio, Provinciano ou Complexado porque não aceito uma atitude de falta total de educação, isso não não aceito. Nem que fosse o Papa, o Presidente da República, chinês, russo, ou qualquer outra pessoa, isso não aceito.
Por isso, Sr. Miguel Sousa Tavares, até gosto de o ouvir, até gosto de ler o que escreve, mas desta vez, e é apenas a opinião de uma Português Saloio, desta vez não aceito os nomes que me chama, ou a classificação que faz de quem mais ou menos se sentiu "ofendido".

E já perdi muito tempo com este tipo de assunto.
Já perdi demasiado tempo com pessoas do nível da Srª Maitê Proença.

Além disso as desculpas não se pedem, evitam-se.


Ellis Island - Chegavam com Esperança


Chegavam aos milhares por mês.
Tinham deixado no seu país, a sua terra natal, uma vida muitas vezes de miséria, e o mais importante os seus filhos, a sua família.

Chegaram em busca de uma "vida", da felicidade.

Chegaram em busca de trabalho. Sabiam que tinham de trabalhar muito. Tinham a esperança de conseguir.
Vinham de toda a parte do Mundo.
Na bagagem, as suas roupas, algumas recordações da sua terra.
No coração traziam Sonhos e a Esperança. Também traziam a Ambição.

Bagagens de quem chegava à "América"

Depois de uma viagem longa e muitas vezes atribulada, mau tempo, doenças chegavam e eram recebidos pelo simbolo da Liberdade.


Estátua da Liberdade ( Liberty Island )
(Fotografia de Fernando Ferreira)

Era a primeira imagem que tinham quando chegavam à América.
Tinham dito na sua terra que iam para a América.
Chegavam finalmente à América.
A dar-lhes as boas vindas, tinham a Liberdade.
Era imponente, grandiosa esta visão.

Aqui sim tinham futuro.
Certamente esta seria a primeira imagem, aquela imagem que seria recordada durante o resto das suas vidas.

Chegavam a ELLIS ISLAND, à foz do Rio Hudson, às portas de NEW YORK.
Do outro lado do rio, ali tão perto, podiam agora ver, ainda com mais esperança, a "América". Do outro lado, desenhada ao longo da baía, estava New York.
Entre 1852 e 1954 entraram por Ellis Island cerca de 12 milhões de imigrantes. Nem todos ficaram na "América".

Entrada do Museu em Ellis Island (New York)

Após a sua chegada, eram sujeitos a rigorosos exames médicos. Em ELLIS ISLAND havia um hospital onde os que apresentavam doenças eram submetidos a tratamento até à sua cura.
Alguns eram deportados para os seus países de origem, desde que se desconfiasse de "mau comportamento", problemas com a justiça nos países de origem, ou eventualmente sem "vontade de trabalhar", bem como portadores de doenças tais como a Cólera ou Tuberculose.
Por questões de controlo ou de tratamento, se necessário procedia-se à separação de famílias, nomeadamente pais de filhos.
Depois de autorizados, partiam dali para todo o lado dos Estados Unidos da América, para refazerem as suas vidas. Talvez, um dia pudessem voltar à sua terra agora com uma qualidade de vida muito maior.
Quem tinha deixado os seus filhos, o primeiro objectivo era também "mandá-los vir para a América", para se juntarem todos.

Em 1965, esta ilha, foi integrada no Monumento da Estátua da Liberdade.

Após a sua recuperação e re-abertura em 1990, agora como museu, ELLIS ISLAND é actualmente um marco da história dos Estados Unidos da América (EUA), sendo um museu dedicado à história da imigração e ao importante papel que esta ilha teve durante as migrações no final do séc. XIX e princípio do séc. XX. No início do séc. XX, eram recebidos em Ellis Island cerca de 5000 pessoas por dia.

Ellis Island (Agosto 2008)

Ellis Island (Agosto 2008)

Visitámos Ellis Island no ano de 2008.

Do outro lado do Rio Hudson, hoje a visão embora "ligeiramente" diferente, é também de grande beleza. A "SKYLINE", a cidade de New York ergue-se em direcção aos céus.
Ainda hoje, tal como naquele dia, em que tinham pela primeira vez a visão da "América" e de New York, o limite é o céu.

Realmente é uma visita inesquecível numa cidade, também ela marcante.

Gostei de visitar a Big Apple.

Gostei de ver e estar em ELLIS ISLAND.

domingo, outubro 11, 2009

Janelas e Varandas a caminho da Cantábria

Nas férias de família decidimos ir até à Cantábria.
Enchemos o carro e metemos pés a caminho.
E lá fomos pelas estreadas do nosso belo país à beira-mar plantado, e depois pelos caminhos do país de "nuestros hermanos".
Entre as diversas imagens que não se puderam fotografar, mas apenas registar na nossa mente, decidi fotografar estas janelas e varandas, que são autênticos jardins suspensos.
Aqui ficam apenas porque gostei de ver e fotografar.


Algures em Leon


Parámos aqui para almoçar, em Oviedo

Depois seguimos para os Picos da Europa, sempre ao lado dos "Caminhos de Santiago".
Entre outras, fomos a Santillana del Mar.

Escadas em Santillana del Mar

Continuamos em Santillana del Mar, pelas praças e ruas desta linda localidade cantábrica.
Embora tenha "Mar" no nome, não tem mar. No entanto é de grande beleza natural e patrimonial.







Agora, ficamos por aqui.
Espero que gostem destes jardins.


(Todas as fotografias são de Fernando e Teresa Ferreira)
(Picos da Europa - Cantábria 2009)

quarta-feira, outubro 07, 2009

Cidade Romana de AMMAIA

Em passeio, após percorrermos uma estrada bem marcada e delimitada entre Marvão e Castelo de Vide, Portalegre, surge , por um lado sob a protecção das encostas de vegetação frondosa da Serra de S. Mamede, por outro lado sob o olhar altaneiro e também protector das muralhas da linda e única localidade de Marvão, a CIDADE ROMANA DE AMMAIA, em S. Salvador de Aramenha.

(Fotografia de Fernando Ferreira)
O museu está instalado num pequeno edifício, muito bem recuperado, onde se pode visitar e ver em várias salas, um imenso espólio que foi recolhido durante as escavações arqueológicas efectuadas nas ruínas da Cidade Romana de Ammaia.
Somos convidados a entrar, a visitar o espólio formado por peças únicas, que datam na sua grande maioria do Séc. I d.C. .
Não sou especialista em museus, mas pela visita que fizemos, num final de tarde de Domingo, a forma de exposição e mostra das diversas peças, a forma como se encontram preservadas, a informação disponível de fácil consulta e leitura, revelou-se uma agradável surpresa.
(Clique na imagem para aumentar)
Depois da visita feita ao museu, saímos para o exterior, para visitar as ruínas.
Disse que não sou especialista em museus, nem em arqueologia.
No entanto, também aqui neste espaço, tive uma surpresa, agora menos agradável.
Caminhámos através de caminhos mais ou menos delimitados, tendo algumas placas, já com alguma degradação, indicações e informação dos diversos lugares visitáveis, Forum, Termas entre outras.
As zonas de escavação e pesquisa arqueológica, estão na sua grande maioria, com um aspecto de abandono, onde crescem ervas, algum lixo fruto de visitantes de poucos escrúpulos e de baixo respeito pelo património, onde as "vedações" ou "protecções" que delimitam as zonas das ruínas e das escavações "construídas" por ferros ou paus ligados entre si por corda, fita plástica , etc.
Por momentos pensei que estava num local votado ao abandono.
Por momentos pensei que o museu que tinha acabado de ver e admirar, não pertencia à mesma estrutura.
O meu desapontamento atingiu o limite ao ver, "cuidadosamente" colocada em cima de um dos muros destapados pelas escavações arqueológicas, uma placa vermelha informando que estávamos numa "Zona de Caça Municipal".

(Fotografia de Fernando Ferreira)

Não havia certamente, melhor local para colocar esta placa.
Registei este momento. Não com o objectivo de crítica mas sim, para uma chamada de atenção.

(Fotografia de Fernando Ferreira)

Dirigi-me à saída, que é feita pelo museu, e perguntei ao colaborador que se encontra no museu a receber os visitantes, fazendo-o de uma forma agradável e condizente com este espaço do museu, o porquê do aspecto das ruínas.
Informou-me das diversas dificuldades por que tem passado esta Cidade Romana de Ammaia.

Estas ruínas, classificadas como Monumento Nacional em 1949, estiveram abandonadas até 1994. Nesta altura deu-se a constituição da Fundação Cidade de Ammaia, e a partir dessa altura deram início a esforços de forma a estudar e preservar esta relíquia de património nacional.
O museu está instalado num edifício restaurado entre 1999 e 2001.

Entretanto, com o apoio possível da Câmara Municipal de Marvão, o apoio da Universidade de Évora e graças a "parcerias" com organismos e universidades europeias, nomeadamente a Universidade de Casino - Itália e a Universidade de Gent - Bélgica, o futuro desta cidade parece ser risonho.

Novas tecnologias vão ser utilizadas, nomeadamente radiografar esta área, permitindo um profundo conhecimento da mesma sem danos para as estruturas e artefactos que se possam ainda vir a descobrir, determinando as suas características, localização e estado de conservação.
Está visto, que mais uma vez o drama desta relíquia, é a falta de apoios e interesse por quem neste país de uma forma concertada, tem a responsabilidade de preservar e dar a conhecer o património.

Mais uma vez, concluí que vivo num país, com um património de inigualável qualidade, mas de prioridades subvertidas.
Penso que, se fosse necessário organizar um Campeonato Mundial de Futebol, ou os Jogos Olímpicos, se tivessemos que construir um Estádio Olímpico de raiz, não faltariam debates, fóruns, programas televisivos, patrocínios etc, etc ...... , mas uma coisa é certa teríamos certamente dinheiro para realizar estes "sonhos".
Agora para proteger o nosso património, dar a conhecer as nossas origens, a nossa História, para este tipos de assuntos já temos mais dificuldade e até mesmo impossibilidades.
Estamos em 2009, desde o fim de recuperação do edíficio do museu até ao dia da minha visita passaram quase 10 anos. Uma década, durante a qual certamente muita gente, pessoas de grande valor cultural e de conhecimento, muitas vezes com esforço próprio, prejuízo da sua vida pessoal, lutou, luta e continua a lutar pela Cidade Romana de Ammaia, e de outras relíquias patrimoniais existentes neste nosso território.

Só espero que com estas iniciativas que estão neste momento a dar os primeiros passos, não se defraudem mais uma vez estas mesmas pessoas.
Lembro-me daquele jovem que nos recebeu no museu.
Era impressionante o entusiasmo, o brilho que tinha nos olhos, enquanto me explicava tudo sobre a Cidade Romana de Ammaia.
Era impressionante o carinho que mostrava, ao me dizer como devia fazer a visita ao museu. Até parecia que o museu era propriedade sua.
Aos governantes, às pessoas responsáveis deste país à beira-mar plantado, gostaria, que por uma vez, dessem sinais que para vós a Cultura é importante, que a nossa História é importante e imprescindível para a formação de uma Sociedade de Futuro e de Sucesso.
Na pesquisa que fiz sobre a Cidade Romana de Ammaia, dei de caras com um blog " Vendo o Mundo de Binóculos do Alto de Marvão" feito pelo Professor Pedro Sobreiro.

O Professor Pedro Sobreiro diz no seu post sobre a Cidade Romana de Ammaia, em jeito de desabafo, que " Fosse isto nos Estados Unidos e já estaríamos todos a viver de um Parque temático / lúdico / educativo ......"

Professor Pedro Sobreiro não é preciso ir para tão longe. Caso os Romanos se tivessem "enganado" em meia dúzia de quilómetros, os " nuestros Hermanos ", já estariam há alguns anos a viver deste espaço, e nós portugueses, mais ou menos interessados por este tipo de assuntos, até saíriamos das nossas casas, do nosso país, almoçavamos uns "Calamares" e umas "Tapas", e íamos visitar este espaço.
Professor Pedro Sobreiro, possivelmente um bom autarca (não tenho conhecimento para avaliar), mas certamente um homem apaixonado pela sua terra e pela Cidade Romana de Ammaia, termina o seu post dizendo, e passo a citar, " Pode ser... Sonhar ainda é das poucas coisas que felizmente ainda não paga imposto ... ".
Permita-me que lhe diga, Sr. professor, mesmo que pagasse, tenho a certeza que não seria por isso que deixaria de sonhar com uma Cidade Romana de Ammaia, aberta ao Mundo.
Peço-lhe a si a a todas as pessoas que o ajudam, que sonham com a Cidade Romana de Ammaia, que não deixem de lutar, não deixem de sonhar.
Já dizia o poeta;
"O Sonho comanda a Vida,
e quando um Homem sonha
o Mundo pula e avança ... "

Muito obrigado a quem sonha e luta pela Cidade Romana de Ammaia.

Eu certamente não a esquecerei, por tudo de bom que representa.

(Alguma informação e citações foram baseadas e retiradas do Blog vendoomundodebinoculosdoaltodemarvao.blogspot.com do Prof. Pedro Sobreiro)

domingo, outubro 04, 2009

A Música das Praças de Lisboa



(Folheto de divulgação da Câmara Municipal de Lisboa)

Na sexta-feira passada ao chegar a casa, a Teresa fez-me um desafio.
Tinha lido num dos "diários" gratuitos, uma notícia : a Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Música, ia "dar música" nas Praças de Lisboa, a partir das 14:00 horas de Sábado.
Bem, lá decidimos partir em direcção a esta iniciativa, dado que somos dados a gostar de ouvir música.
Digimo-nos ao Largo de S. Carlos, não sei bem porquê, decidimos começar por este sítio.
A "Praça" em frente ao Teatro de S. Carlos, estava ainda quase deserta, alguma pessoas, mas com a chegada das 4:00 PM, as cadeiras encheram-se de pessoas, algumas conhecedoras, outras curiosas e expectantes.
Tudo então começou com a BIG BAND do HOT CLUBE DE PORTUGAL, banda da Escola de Jazz Luís Villas-Boas.

Aos primeiros acordes desta banda, nem o sol intenso que se fazia sentir, o calor, demoveu alguém. Foi uma hora de excelente música jazz, tocada por uma banda de excelente qualidade.
Entusiasmados, saímos ainda antes dos últimos acordes terem acabado, em direcção às Ruínas do Convento do Carmo.
Agora já na posse do Programa, sabiamos que iamos ouvir VOX LACI-CORO JUVENIL, que tinha o seu início marcado para as 17:00 horas.
Deparei-me com um coro formado por jovens, que iniciaram o seu concerto, por peças de canto sacro, executadas com grande mestria. A meio do concerto surprenderam-nos com peças destinadas a tudo menos a canto coral, tal como o tema "Socorro" de Pedro Abrunhosa, ou "PLAYBACK" do saudoso Carlos Paião, ou ainda "MLK" dos U2, temas acompanhados com coreografias de agradável imagem e execução.

De referir a qualidade do espaço escolhido, para este tipo de concerto. As Ruínas do Convento do Carmo, por instantes, ganharam uma ligação directa com os deuses, através da música.

Saímos, no fim deste concerto directamente, e novamente para o Largo de S. Carlos para ouvir mais um concerto, agora a orquestra dos PEQUENOS VIOLINOS DA METROPOLITANA.


Que bonito, ouvir esta orquestra formada por jovens e "pequenotes" alguns quase do tamanho dos pequenos violinos, a executarem peças de música classica, Vivaldi, Bach, Shumann, eu sei lá, com uma mestria e simplicidade, que até parecia que era fácil, sempre acompanhados pelos seus professores.

Não havia um pequeno espaço livre no largo, estava repleto. As pessoas amontoavam-se nas escadas, na esplanada. Qualquer lugar servia para ouvir música.

Ao partir em direcção a casa, sentia-me bem comigo mesmo. Sentia-me feliz.

Que boa ideia que a Teresa teve. Gostei mesmo.

Ao sair do Largo de S. Carlos, lembrei-me que, seria assim que Fernando Pessoa e o seu pai se sentiriam, ao ouvirem a música que entrava pelas janelas do 4º andar daquela casa, onde viviam. Está lá a placa.

Fernando Pessoa devia ficar de "papinho cheio", e talvez cheio de felicidade, porque o Sr. Joaquim de Seabra Pessoa, seu pai, tinha um dia, tido a ideia de ir viver para o Largo de S. Carlos.

Que boa que foi esta tarde de Sábado.

Que feliz iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa. Os lisboetas de certeza que agradeceram. Eu fiquei muito agradecido.

Obrigado !

(Fotografias de Fernando Ferreira)


quinta-feira, outubro 01, 2009

Dia Mundial da Música

(Fotografia de Fernando Ferreira)
QUALQUER MÚSICA
(Fernando Pessoa)

Qualquer música,ah, qualquer,
Logo que me tire da alma
Esta incerteza que quer
Qualquer impossível calma!
Qualquer música-quitarra,
Viola, harmônio,realejo...
Um canto que se desgarra...
Um sonho em que nada vejo...
Qualquer coisa que não vida!
Jota,fado,a confusão
Da última dança vivida...
Que eu não sinta o coração!

(Retirado de silvystones.spaces.live.com)

Hoje quando me dirigia para a minha batalha do dia-a-dia, ouvia as notícias e as diversas desgraças que se passam neste mundo.
(Já repararam que na nossa imprensa se dá muito mais destaque a tudo o que acontece de mau, em detrimento dos Sucessos, das Conquistas que também vão acontecendo por este Mundo ?)
Era só um desabafo !
Depois quase que em nota de rodapé, noticía de pouco realce, ouvi que hoje é o "Dia Mundial da Música".
Logo a seguir, começou a dar "Música".
Não sei que tema ou quem o teria composto. Sei que gostei de ouvir.
Gosto de ouvir música.
Gosto de cantar.
Canto para mim para não assustar os vizinhos.
No máximo incomódo a minha família. Sei que eles não me dão a sua opinião quanto aos meus dotes vocais, porque gostam de mim.
Não toco qualquer tipo de instrumento.
Admiro os meus filhos, porque entre muitas coisas, cada um deles toca diversos instrumentos - Clarinete, Viola, Flauta, a música para eles é um passatempo.
Todos nós temos a faculdade de poder ouvir ou sentir a Música.


"A surdez de Beethoven não era uma deficiência. Foi uma dádiva dos Céus.
Incapaz de escutar as vozes exteriores, estava em condições de ouvir dentro de si próprio a voz de Deus."
(Vitaly Margulis)
(n. Charkov, Ucrânia 1928)



Todos nós temos a nossa Música. Aquela Música que nos recorda momentos de Felicidade, momentos de Paz, o nosso momento.
Para mim considero uma das minhas músicas, o tema "Porto de Côvo" de Rui Veloso letra de Carlos Tê .

A Música provoca em todos nós sempre qualquer sensação ou sentimento.

É algo difícil de definir. Não sei se é importante haver uma definição para a Música.
Usa-se Música com diversos objectivos :
Por mera distração e em momentos de descontração;
Para relaxar;
Porque gostamos;
Porque .....porque....porque...
Até existe Musicoterapia.
Por isso, e porque normalmente é o que faço, também hoje no caminho de regresso a minha casa, vou pôr o rádio bem alto e ouvir Música. Não é só porque hoje é o Dia Mundial da Música. É porque gosto de ouvir Música.
Seria bom haver muito mais gente que fizesse o mesmo. Assim por momentos poderiam "esquecer" tudo o que nos entristece ou que nos magoa.
Um Feliz resto de dia, neste Dia Mundial da Música.
Façam o favor de ser felizes. ( ... isto não é meu e também não sei de quem é)