DISTRAÇÕES_i_IMAGENS

...um olhar sobre... as minhas IMAGENS preferidas e algumas DISTRAÇÕES ...

"A fotografia é a poesia da imobilidade: é através da fotografia que os instantes deixam-se ver tal como são." (Peter Urmenyi)

"A dignidade pessoal e a honra não podem ser protegidas por outros. Devem ser zeladas pelo indivíduo em particular" (Mahatma Gandhi)

"Para viajar, basta existir. " ( Fernando Pessoa )

domingo, março 22, 2015

… mais um objectivo … 40 anos depois ...

Há tanto tempo que não ando por estas paragens …
Desculpas ? … sim, sempre as mesmas … falta de tempo, de oportunidade …
… de assunto, talvez mas principalmente falta de vontade …
… e esta última é talvez, a mais verdadeira …
… porque voltei, agora ? …
… apenas por mais um motivo que me preencheu, tal foi a importância do mesmo …


Há cerca de 3 anos, regressei a Angola, meu país de origem sendo Huambo ( Nova Lisboa ), a minha terra natal … estive, na altura 37 anos sem pisar esta terra, vermelha, quente, calorosa e intensa …
Estabeleci, na altura dois objectivos em termos de família … que os meus filhos conhecessem a terra que me viu nascer, e que os meus pais, voltassem a pisar a terra que os viu crescer, juntos, como pilar base da minha família …

Este ano, em 28 de Fevereiro, o meu pai completou 80 anos de vida …
Este ano de 2015, faz precisamente 40 anos, que os meus pais partiram das terras mwangolés …
Esta junção de "comemorações", impeliu-me no sentido de lhes oferecer uma visita, uma pequena estadia, que certamente foi recheada de recordações, de momentos e imagens, que os fizeram recuar no tempo por momentos, por poucos dias …

E assim, regressaram a Angola, a este país tão imenso, de paisagens tão inesquecíveis, de gentes calorosas, recordando mesmo sem querer, muitos dos momentos da juventude e de quase uma vida a dois, união de onde resultaram dois seres, um dos quais, eu …

… a 1 de Março de 2015, 40 anos depois, voltaram a pisar Angola …

 
… a casa onde nasci, no Bairro de S. João …

… 40 anos depois, voltaram a ver a sua primeira casa, onde eu nasci, a farmácia onde trabalharam juntos, o barbeiro onde cortámos tantas vezes o cabelo, as ruas por onde passearam juntos de mão dada ou de braço dado, a casa onde viveram e a minha irmã nasceu, as escolas … tantas mas tantas coisas mais …

… em frente à farmácia e à barbearia do Sr. Nelson ...

… 40 anos depois, o meu pai e a minha mãe, exactamente como há 40 anos atrás, de braço dado pelas ruas da cidade do Huambo, outrora Nova Lisboa …


… estiveram na igreja onde casaram, na Sé, certamente recordando aquele dia em que disseram "sim" um ao outro … 


Percorreram os caminhos, as ruas muito antes palmilhadas … o meu pai e a minha mãe, certamente, à porta da farmácia onde trabalharam, recordaram dias e dias de labuta, de luta, de contrariedades, mas muito mais certamente, de muitos momentos felizes que tiveram eles e nós, ao longo de anos …

Ao olhar para o meu pai, à porta da farmácia, recordei por instantes, a imagem do meu pai de bata branca, sempre perfeitamente alva, à porta da farmácia, ou então a mudar as tabuletas que informavam os transeuntes das farmácias de serviço.

… em frente à farmácia, ao fim de mais um dia de "trabalho" …

Recordei a minha mãe, sentada na secretária, que ainda hoje lá se encontra, no mesmo sítio, a fazer, como se dizia na altura, a "escrita" da farmácia …
Recordei, também por instantes, infelizmente já me deixou, a minha avó, sempre de sapatos de salto alto, de mão dada comigo a percorrer a rua que dava aceso ao mercado, um pouco mais abaixo da farmácia …

Enfim, tantas, mas tantas recordações, em tão poucos dias …

Levei também os meus pais a ver outras maravilhas de Angola … 
… o Miradouro da Lua, as Quedas de Kalandula, as Pedras de Pungo Andongo …

… no Miradouro da Lua ...

… Cataratas de Kalandula ...


… em Pungo Adongo …

… passámos pela Barra do Kwanza …
… vimos os nossos amigos macacos que passam os seus dias a ver quem passa …
… percorremos tantos e tantos quilómetros, mas ao mesmo tempo, tão poucos …

… em Pungo Adongo …

… ficou tanta coisa por ver, neste país imenso, cheio de paisagens e momentos inesquecíveis …
… estivemos em Benguela, na Baía Azul, onde por vezes passámos férias …
… bebemos uma Cuca no Lobito, a ver o Pôr do Sol …

… no Lobito, junto à praia a ver o Pôr do Sol ...

… comemos Ginguba, acompanhada com Cuca, numa esplanada no Huambo …
… apanhámos chuva, no Huambo e em Luanda … também a chuva e a forma como chove, deu para os meus pais recordarem mais uma característica desta terra …
… rimo-nos como autênticos parolos, enquanto eu imaginava uma maneira de tirar os meus pais do carro, debaixo de uma chuvada intensa, para percorrer 10 metros que se encontravam com 30 cm de água …
… passámos uma noite, num hotel ( como outras ), mas cujo quarto era um contentor … 

… nós, na Baía Azul, em Benguela ...

Muito fizemos … mas muito mais ficou por fazer …

Sinto-me feliz, por ter conseguido concretizar este meu segundo objectivo …
O primeiro, o de mostrar aos meus filhos estas terras e as gentes, tinha acontecido há cerca de uma ano …
Agora foi a vez dos meus pais …

É com emoção, que escrevo estas palavras … que recordo todos os momentos aqui passados com os meus pais e com os meus filhos …

Com os meus pais foi diferente … foram momentos de intensas e imensas recordações …
Luanda, dizia o meu pai, cresceu ai umas 50 vezes … Já não conheço Luanda …
Mas estava enganado, quanto ao conhecimento … ao percorrer as ruas da cidade de Luanda, ia seguindo algumas indicações que o meu pai, ao meu lado me dava …
aqui foi onde trabalhei … a farmácia era por aqui … hoje já não é uma farmácia …
… vai por aqui e ali à frente viras à esquerda … vamos sair na Vila Alice …
… se fores por aqui abaixo, vais dar à Maianga … 
E eu ia, e lá chegávamos …
Afinal, 40 anos depois, embora Luanda esteja uma cidade imensa, afinal ainda se lembrava e conhecia a sua Luanda …


Muito mais há ainda para dizer ...
Por aqui me fico …
Só mais uma pequena coisa …

Obrigado Pai …
Obrigado Mãe …
Obrigado aos dois, por me terem feito tão feliz, principalmente nestes poucos dias, que partilharam a minha vida aqui nesta terra, que viu nascer a nossa família …
Obrigado por me terem proporcionado momentos tão inesquecíveis …
Mais uma vez, como tantas e tantas outras, partilharam momentos comigo de imensa felicidade …
Sinto-me feliz, e muito mais realizado pessoalmente …
Obrigado Pai …
Obrigado Mãe …

(Fotografias de FAIRES)

domingo, agosto 10, 2014

... reflexos ... no Rio Kwanza ...



(Fotografia de FAIRES)

... IMAGINAÇÃO ...


" A IMAGINAÇÃO É O NOSSO ÚLTIMO REFÚGIO "

... a frase não é minha ...
... ouvi-a, gostei e decorei ...
... resolvi aqui, partilhar esta citação ...
... depois de a ouvir, dei por mim a pensar quantos mais "últimos refúgios", poderá um Homem ter ...
... a imaginação ...
... o sonho ...
... refúgios só "meus" ...
... cada um será o último à sua maneira ...


(Fotografia de FAIRES)



quinta-feira, agosto 07, 2014

... depois de algum tempo de ausência ...

... o regresso é feito com a ajuda de um amigo ...
... nas margens do Kwanza ...
... descansando ou em pose ...
... se for no primeiro caso, um "chato" o incomoda ...
... se for caso do segundo, um "chato" faz-se à fotografia ...
... independentemente do "chato" uma coisa é certa ...
... foi um excelente encontro ...

(Fotografia de FAIRES)

domingo, fevereiro 16, 2014

... Cataratas de Kalandula ... em Kalandula, Província de Malanje ....

... em Kalandula ...
... uma pequena terra, mas uma grandeza tão imponente ...
As Cataratas de Kalandula ...
(... antes de 1975, davam pelo nome de Quedas do Duque de Bragança ...)
(... isto cá para nós, acho que o senhor nem sabia que tinha umas cataratas ... bem hoje espero que também não tenha, de espécie nenhuma ...)

Cataratas de Kalandula
... com 410 metros de extensão ...

... com 105 metros de altura ...

... as águas do Rio Lucala, entram no precipício ...

Estive, a admirar a paisagem deslumbrante ...
... completamente "anão", perante tal grandiosidade ...
... como sempre, apareceram alguns "amigos" ...

- "pai grande", tira uma foto - disseram-me eles.

... e tirei, ou pedi para tirarem ...
... este momento, como muitos mais, fazem-me recordar para sempre este dia ...
... e neste momento, as águas do Rio Lucala, lá seguiam o seu caminho, depois de um mergulho de 105 metros, até encontrarem as águas do Rio Kwanza, em direcção ao Atlântico, o mesmo mar que banha as "paragens lusitanas" ...
... o meu dia nas cataratas ...
... mais um dos momentos de excelência, nesta minha presença em Angola ...
... terra de contrastes, mas também de uma beleza incrível ...
... é Angola ...
... é África ...

(Fotografias de FAIRES)

... uma ponte ...

Sobre o Rio Kewe ... no Município da Conda, na Província do Kwanza Sul ...
Uma ponte ( ou parte dela ), do outro tempo ...
Foi parcialmente destruída em 1975, por motivos que a razão desconhece ... ( quando estamos a falar de conflitos armados ) ...
Um passado, em todos os sentidos ... uma marca ... um símbolo ...

... as "cinco quinas" ...

... os arcos ...

... o escudo ...

(Fotografias de FAIRES)

... as Cachoeiras do Kewe ... Conda ... Kwuanza Sul ...

Neste país existem como em todos os países, evidentemente, autênticas "maravilhas" naturais ...

As Cachoeiras do Kewe (rio), são disso uma exemplar "testemunha".
Situadas no Município da Conda, na Província do Kwanza Sul, cuja capital é a cidade do Sumbe .

Cachoeiras do Rio Kewe


Cachoeiras do Rio Kewe

(Fotografias de FAIRES)

... Quantos são os dias de comemoração do "DIA" dos Namorados ... (?)

Tempo quente, mas agradável, que tanto dá para ir à piscina, praia ou então estar um pouco sentado numa esplanada a beber um café ou uma água, enquanto se lê um livro ...
Foi o que fiz hoje logo pela manhã... Domingo ... 

Cheguei ... olhei em redor, e deparei-me com as mesas da esplanada ainda decoradas para receber pares de "apaixonados", com rosas e velas...

E em diversas mesas, realmente, enquanto uns se banhavam ou na piscina, ou mesmo ao sol, outros lá estavam sentados, entre troca de olhares e certamente, juras de paixão arrebatada e eterna ...
Sorri e sentei-me .... um pouco mais de lado, pois não pertenço a este campeonato ...
Mas que dia é hoje ? ... dia 16 de Fevereiro ...
Aproximou-se um empregado, trajado a rigor, perguntou-me :

- Está à espera de alguém ?

Olhei, sorri, e respondi-lhe:

- Sim, de si ... quero um café e uma água das pedras ... Pode-me também trazer um cinzeiro?

O rapaz olhou para mim com um ar desconfiado ... sorriu e lá foi buscar o que lhe tinha pedido ...
No sistema de som, para criar ambiente, "cantava", fazendo uso de todo o seu volume pulmonar, Nilton César, o seu romântico tema:





Voltei a sorrir,... mais a rir-me sozinho, e não deve ter sido pouco, que o bem trajado empregado, achou piada e também se riu enquanto dispunha em cima da mesa o meu pedido.

- Então o Dia dos Namorados não passou já ? - perguntei-lhe.

Encolheu os ombros, e respondeu-me:

- É verdade ... mas é negócio ...

E na verdade, explicação e resposta melhor, não poderia haver ...

Afinal não é só o "Natal" que começa em Setembro ou o Carnaval que já começou (bem, ainda não, porque ainda não acabou o Dia dos Namorados) ...

Mas porque estou eu a falar, também hoje sobre este assunto?

Porque, quando me ri ao ouvir a música e ao olhar para o ambiente, lembrei-me do desgraçado do Santo António "brasileiro"...
É que se em Angola, houvesse a tradição que há no Brasil, com as festividades do Dia dos Namorados a demorar tanto tempo e a rapariga "solitária" continuasse a castigar o santo porque ainda não lhe ter arranjado um "namorado", então estávamos desgraçados ...
... Não havia Santo António que resistisse, para o 13 de Junho, as marchas e a sardinha assada estavam seriamente comprometidas...
Já agora, também não haveria a hipótese de fazer os casamentos de Santo António ....
Quem acabava por se safar, era a sardinha ...

.. tradições ... umas estranhas, outras ... hilariantes ...

... vou vender esta, ao preço que a comprei ...

Há dias contaram-me uma tradição que há no Brasil, a propósito do Dia dos Namorados, no passado dia 14 de Fev. 2014.

No Brasil, segundo parece, comemora-se o Dia dos Namorados no dia 13 de Junho, dado que é também o Dia de Santo António, o "santo casamenteiro" ...
E se para muitos ( e muitas ), a noite de 12 para 13 de Junho será uma noite inesquecível ... para outras, a coisa talvez não esteja tão fácil ...

É que, uma "moça" casadoira ou solitária, que não tenha ainda encontrado a sua "cara metade" ou, dizendo de outra forma, a sua "outra face", sentindo-se "incompleta" ou sozinha, vai daí e vinga-se no Santo António ... isto é, pega numa imagem do santo, e mergulha-o de cabeça para baixo, dentro de um copo com água ... ameaçando afogar o Santo António se não contribuir fortemente para o fim da sua tristeza e agonia ...

Ora, quem neste momento está em total agonia e desespero, é o próprio Santo António ...

E para tal situação terminar, o desgraçado do santo, "percorre" o seu "cardápio", e qual agência de encontros, lá tenta arranjar o tão almejado par para a moça ...

A rapariga, no dia 13 de Junho, confere, verifica e perante a validação da solução encontrada, sai alegremente para a festa de braço dado com o seu mais que tudo, mas, não sem antes resgatar das profundezas do copo de água, o Santo António ...

Logo, a seguir ao salvamento, agradece ao santo ... agradecimentos sinceros ...
O Santo António, desta vez, e mais uma vez lá se safou ... já pode ir comer uma sardinha e festejar nas marchas ...

A moça e o moço dão vivas a Santo António ...

Terá sido esta a origem do "grito de guerra", que se ouve nesta altura ?

" VIVA O SANTO ANTÓNIO !!!!!! " 
....
Viva o São João,
Viva o 10 de Junho e a Restauração!
Viva até São Vento
....

Só não percebo o que o 10 de Junho, a Restauração e o São VENTO (????) ... têm a ver com o assunto ... mas está bem ... por mim, "VIVAS" A TODOS ...

domingo, fevereiro 02, 2014

... estou a ficar "velhote" ...

... e é assim que vou descobrindo que estou a ficar velhote ...
... recordações da minha "meninice", cruzam-se por vezes perante os meus olhos ...
... decorria o ano de 1973, vivia eu, na cidade que se chamou outrora, Nova Lisboa, hoje Huambo ...
Na minha recente visita à cidade do Planalto Central, deambulando pelas ruas e vielas, deparei a determinada altura com ...

... ESTÚDIO 404 ...

Foi em tempos uma importante e bela sala de espectáculos, hoje aguarda a sua reconstrução ...

E foi neste momento que me veio à "lembradura", um ou dois filmes que assisti nesta sala.
... no verão (português) de 1973, a minha avó e a minha irmã, deslocaram-se às terras lusas ...
... eu tinha feito a mesma viagem no ano anterior, para conhecer a família que se encontrava na Metrópole, nomeadamente a minha avó paterna...
Os meus pais tinham por hábito irem aos domingos ao cinema ... nesse longínquo domingo, este empecilho, dificultava a "tarefa" ... decidiram levar-me com eles ... afinal o filme era para 18 anos ...

Em cartaz ...

OS CAVALEIROS DAS ESTEPES

... com Omar Sharif ... como cabeça de cartaz ...
... e depois do jantar, lá fomos os três ...
... compraram os bilhetes e dirigímo-nos para a sala ...
... à entrada, como em qualquer cinema,  encontrava-se um "senhor" para receber os bilhetes e deixar entrar, ao encarar comigo, de tez fechada, interpelou-me :

- O filme é para maiores de 18 anos .
- Que idade é que tens?




Eu, devo ter feito no mínimo uma cara de pânico ... mas não querendo dar o braço a torcer, respondi :
- Tenho 18 anos !
E o senhor, replicou:
- Podes entrar ...
Ainda não tinha andado um metro, já ouvia as gargalhadas do "senhor" ... do meu pai e da minha mãe, também ... mas afinal eu, estava safo ...

Não sei se as palavras foram exactamente estas, mas que eu respondi que tinha 18 anos, disso tenho a certeza, bem como, que entrei e vi o filme, também tenho...
Uma das cenas que mais me impressionou foi que, no calor de uma batalha, o "Omar", perdia uma das pernas abaixo do joelho. Foi tratado e continuou a cavalgar e a combater, mesmo sem a perna .
Aquilo é que era um homem de armas ...

... Estúdio 404 ... porquê este nome ?
Porque tinha exactamente, 404 lugares ... Em Lisboa, havia (porque não sei se ainda há, o Estúdio 444) .
O Estudio 404, fazia parte de um complexo desportivo ... do Sporting Clube do Huambo ...
Tinha campo de futebol relvado, piscina para a prática de natação e uma outra para a prática de saltos de prancha. 
A entrada para o estádio, situava-se mais ou menos a cerca de 100 metros, do lado direito de quem está virado para o Estúdio 404. Hoje muito pouco resta ... aguarda também reconstrução ...
Vi aqui alguns jogos de futebol ...


Mas do cinema, e das suas matinés, recordo ainda mais uma "pérola" do cinema ...
Quem não se lembra ?


Com Terence Hill e Bud Spencer ...

TRINITA, COWBOY INSOLENTE 

... "chapada" que fartava ...
... e estes dois irmãos, que não gostavam muito um do outro, quando a coisa dava para o torto, eram como unha e carne e não dispensavam uma boa tarde de "chapada", sem nunca perderem o chapéu ou a serenidade ...
... as gargalhadas percorriam os ares daquela sala ...
... não estou a discutir a qualidade do argumento, da música, realização, ... ou de outra coisa qualquer ...

... apenas me lembrei, naquela tarde chuvosa em que estava de visita à terra que me viu nascer, onde tiveram origem os ossos que compõem este "ser" ...

Já agora, só mais uma coisa, de que me lembro também ...
Durante algum tempo, meteu-me confusão, como é que o "Omar", tinha tão rapidamente ficado bom, mesmo depois de lhe cortarem a perna ...

Só depois me explicaram ....
Truques de cinema ...
Isto, há coisas ...

(Fotografias de FAIRES)
(Cartazes da internet)

quarta-feira, janeiro 29, 2014

segunda-feira, novembro 25, 2013

... 38 anos após ...

Em 1981, foi adaptado para televisão, o romance Reviver o Passado em Brideshead ...


... 38 anos depois ...

No passado fim de semana, sem saudosismo ou outro tipo de "ismo" de qualquer espécie, também eu por algumas horas, revivi o meu passado, a minha infância, principalmente os meus primeiros 12 anos de existência.
Finalmente, após cerca de 18 meses de presença em Angola, desloquei-me à minha terra natal. Durante a viagem, o que começou por ser um sentimento de ansiedade, passou rapidamente para um sentimento de quase contemplação, tal era a beleza da paisagem que íamos atravessando. Ao longo do percurso, senti-me entre, estar a percorrer os caminho da Serra de Sintra e estar em direcção aos Pirinéus ou até Picos da Europa. A paisagem frondosa e verdejante ia passando defronte dos meus olhos, sem ter quase tempo para ver e admirar.

Cerca de 600 km, é a distância que separa Luanda do Huambo...
Ao partir, e já há algum tempo, tinha na mente, quase o mapa perfeito da cidade do Huambo. Tinha a certeza de saber onde tinha vivido, as minhas escolas, o local de trabalho dos meus pais, entre outras coisas.

Finalmente, chegámos ... 

Por momentos, aquela entrada na cidade, era para mim totalmente desconhecida ... afinal, o que até aí era uma certeza, estava prestes a desmoronar-se, e o desconhecimento estava a tomar conta de mim ...

... lá ao fundo, aparece uma imagem, uma praça ... 
... afinal, eu conheço, ainda me lembro ...
... vira à esquerda, segue em frente, contorna, entra pela direita ... foram expressões que passaram a fazer parte da minha forma de comunicação ...
... vira à direita, segue um pouco em frente ... pára aqui ...


... abro a porta do carro, e estou em frente à minha escola onde entre 1973 e 1975, completei os 1º e 2º anos do ciclo preparatório ...

Igual, reconheceria aquele edifício sempre e em qualquer parte do Mundo ... 
... do meu lado esquerdo a antiga Escola Industrial, e do meu lado direita fica o Liceu ...
... e eu em frente à minha escola do Ciclo Preparatório, situada no Bairro Académico.
... não consigo exprimir o que sinto ...
... parto ...
... agora próximo destino ...
... eu vivia no Bairro Académico, ia todos os dias a pé para a escola, e demorava cerca de 10 a 15 minutos ...
Em frente ao Liceu, começamos a descer ... a segunda cortada à direita, entramos nessa rua ...
Ainda lá está a placa ... Rua Egas Moniz ... 
Paramos em frente à terceira casa a seguir à escola primária ... a primeira, era a do Sr. Galo, funcionário dos Caminhos de Ferro de Benguela, a segunda da D. Rute, cujo filho, o Carlitos era meu amigo e companheiro de brincadeiras e asneiras de rua ...
Mais uma vez, saio do carro ... estou em frente à casa, onde morei cerca de 8 anos da minha vida, até ao ano de 1975.

Era esta a casa onde eu, com os meus pais, a minha avó e a minha irmã, vivemos ...

A minha irmã nasceu nesta casa ... no quintal, nesse dia, foi plantada uma mandioqueira ...
Sei e descrevi aos meus colegas, o layout da casa... o meu quarto dava para o quintal, para uma varanda que tinha da parte traseira. 



Ao fundo da passadeira onde eu tantas vezes joguei à bola ou caí a andar de patins, a garagem, onde eu guardava entre outras coisas, as minhas bicicletas de marca ULISSES, forte concorrente a IMPALA ... uma bicicleta em cor verde chopper, que se dobrava ao meio para facilitar o transporte ... a outra, mais velhota, era vermelha. Já lhe tinha tirado os guarda-lamas, modificado volante, para transformar esse "veículo" infernal, numa bicicleta de cross ... tanta, mas tanta queda dei naquela "doida" ...

Apenas uma diferença e uma dúvida ... 
A diferença, é que os muros não eram tão altos ...
A dúvida, é se a cor da casa era esta ... 
... na casa da frente, morava o Silo, depois ao lado a Cristina que era muito mais alta que nós todos lá na rua ... um pouco mais abaixo a Maria José e a Maria João, e em frente, mas do outro lado da rua, a Vânia, miúda de olhos azuis e cabelos louros ... Eramos 6 ou 7 compinchas, mais ou menos todos da mesma idade. O mais novo era o Carlitos ... e talvez a Maria José que era irmã da Maria João ...
A minha irmã, mais nova do que eu 5 anos, (ainda hoje é mais nova, nem sei bem porquê), era a reguila, que insistia em brincar com os mais crescidos. Era na altura a figura da "Maria rapaz" ... 
Todos, quase sempre descalços, para desespero do pessoal adulto a quem dão o nome de "PAIS" ...
Estranha sensação, aquela, naquele momento ...
Partimos ...
Em direcção ao centro da Baixa da cidade ... Ao fundo da rua, no fundo do bairro, do lado direito a antiga COFA, viramos à direita e entramos na Granja.
Encaramos, uns metros à frente com a Praça do Mercado ( antiga Praça Vicente Ferreira ) ... o hotel que estava em construção, continua por acabar ... o tempo parou ...
Seguimos em frente, viramos à esquerda, e novamente à esquerda ...
Paramos ... do lado esquerdo, do outro lado da rua, está a Farmácia Sanitas ... as portas estão fechadas ... o edifício aguarda a sua recuperação ... 



Lá dentro ... consigo espreitar e ver como se encontra o local onde os meus pais trabalharam durante muitos anos e onde eu durante o tempo de escola primária, passava os meus fins de tarde a fazer os deveres da escola. Saía da escola por volta das 16:00 horas, corria rua acima e ia para a farmácia. Lá dentro, havia e ainda há um laboratório e armazém. Estava lá uma secretária, onde eu, depois do lanche me sentava a fazer os TPC's (nome fino para os trabalhos de casa)...
...cópia, palavras difíceis escritas 3 vezes, tabuada e algumas contas em que incluía a conta, a prova real, a prova inversa e a prova dos "9".
Tenho quase a certeza que, nos dias de hoje, sem se recorrer à máquina de calcular, poucos estudantes saberão do que estou a falar. 


O Windows ainda nem sonho era, só mesmo as janelas das casas, e computadores era algo que .... bem é melhor nem falar ...


Quando olhei para dentro, senti um baque ... Todo o mobiliária e a sua disposição é exactamente a mesma de há 38 anos... prateleiras vazias, mas o estabelecimento está limpo e arrumado ... não me pareceu que estivesse a funcionar ...

De acordo com a informação, esta farmácia estaria hoje de serviço. Recordei a imagem do meu pai, todos os dias à mesma hora, a mudar as placas para informar quais as farmácias de serviço na Alta e na Baixa da cidade. Na Alta está de serviço a Farmácia Portugal ( que ainda existe e trabalha), e na Baixa, está de serviço "esta farmácia". Todos os dias de manhã, o meu pai mudava as placas de vidro. 

É deveras uma sensação de paragem total no tempo ... olho para o relógio de parede no fundo ... também está parado ... são segundo "ele" ... 08:35 horas ... quando terá parado o tempo aqui ?

Começa a chover ... corro para o fundo da rua, e tento descobrir mais uma coisa ...
Será que ainda existe ?


... sim, existe, está aberta e a trabalhar ...
Há 38 anos, eu entrava por esta porta e o Sr. Nelson, o barbeiro da família estava a trabalhar, "alindando" quem lá se dirigia ...
As cadeiras são as mesmas... tenho a certeza ...
As cores, essas tenho dúvidas e também não existia o cortinado ao fundo ...


Falei com o "Sr. Nelson" dos dias de hoje ...
Pedi-lhe autorização para fotografar ... expliquei-lhe o porquê ...
- Como se chama ? - pergunto-lhe
- Adelino - responde-me.
E de seguida, pergunta-me ele:

- E o senhor, como se chama e como conhece aqui a barbearia ?
- Chamo-me Fernando, e até há cerca de 38 anos atrás, vinha aqui para cortar o meu cabelo. Sou filho, do senhor que trabalhava na farmácia, na ponta da rua, a Sanitas ...

O homem olhou para mim com ar incrédulo.
Talvez tenha acreditado quando lhe disse :

- Aqui ao lado, havia uma loja de roupa para crianças, a Carochinha, e um pouco mais à frente, uma loja que vendia artigos de pesca e armas desportivas, a Casa Dumbo...
- Pois é, tem razão .... era isso mesmo... ambas fecharam e agora vendem-se lá outras coisas.
... e eu de saída, disse-lhe:
- Até à próxima Sr. Adelino. Da próxima, o senhor corta-me o cabelo ...

Por hoje, chega ...
Entro no carro e sigo para hotel ...

Saio um pouco mais tarde, para jantar . Vacilo entre o Império, conhecido na altura pelos seus pregos, ou um restaurante mais ou menos novo, o Huambo.
Enquanto decido e não ... sento-me no jardim que está numa das ruas da Alta da cidade.
Um pouco à frente da Praça Agostinho Neto.


O jardim está iluminado, enquanto a noite cai sobre a cidade do Huambo.




Sento-me, a .... pensar como tinha sido aquele dia que terminava.


Observava as luzes deste jardim... Deste eu não me lembrava mesmo ...


Caminhei um pouco ao longo deste jardim, e os meus olhos paravam por vezes em pequenos apontamentos que transmitiam serenidade à noite da cidade do Planalto Central.



Huambo, antiga cidade de Nova Lisboa ... 
... a minha terra natal ...
Amanhã há mais, pensei eu ....
E calmamente dirigi-me ao Restaurante Huambo ...
Sentei-me, abria a lista ...
- Quero um fino Cuca e uma Francesinha (à moda do Porto, como estava escrito na lista).
(Já agora, o cheesecake é uma especialidade).
Comi um doce de bolacha, leite condensado e natas, e terminei com um café.

(Fotografias de FAIRES)

quarta-feira, novembro 20, 2013

... estradando ... parando um pouco para a "bucha" ...


... quando a fome aperta ...
... e sede desperta ...
...
... temos de tratar do "assunto" ...
... nada melhor do que ...
... num restaurante de beira de estrada ...
... este "jango" ...
... bem pertinho do Sumbe ...

(Fotografia de FAIRES)

... fim de dia ...


... em direcção a Luanda ...
... passado Porto Amboím ...
... ainda na Província do Kwanza Sul ...
... era assim que o horizonte, se permitia ser visto ...

(Fotografia de FAIRES)