DISTRAÇÕES_i_IMAGENS

...um olhar sobre... as minhas IMAGENS preferidas e algumas DISTRAÇÕES ...
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"A dignidade pessoal e a honra não podem ser protegidas por outros. Devem ser zeladas pelo indivíduo em particular" (Mahatma Gandhi)
"Para viajar, basta existir. " ( Fernando Pessoa )

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

... UMA FIGURA PÚBLICA ...


… UMA FIGURA PÚBLICA …

Escrevo estas imensas linhas, a propósito de um programa de rádio que ouvi, e e um artigo que li no Faceboock com o título, “Horário dos Professores”.
Este é o título de um “apontamento” que li no Faceboock, inserido, penso eu, na temática do Estado da Educação, assunto recorrente, frequentemente discutido, debatido, com alterações mais ou menos frequentes, mas cujo resultado de tanto estudo, debate e …. não sei mais o quê, tem tido como resultado … quase ZERO.

Tenho respeito por todas as classes profissionais, todas as profissões e todos os profissionais, desde que exerçam as suas funções com dignidade, respeito e cumpram as suas tarefas com o melhor desempenho e zelo, que sabem e podem.
Pela classe dos Professores, tenho um respeito ainda maior, até porque do seu desempenho depende grande parte do desenvolvimento da Sociedade e de um país em termos de Educação, Formação ou Conhecimento.  (Conheço alguns, alguns até fazem o favor de ser meus amigos ... só não sei se no fim disto o irão continuar a fazer ... mas ... paciência). Evidentemente, que sozinhos, muito pouco ou nada, conseguem. E está à vista, quando, no processo educativo e formativo de uma sociedade, não existe sintonia entre os diversos intervenientes, a avaliar pelo Estado da Educação em Portugal que não é dos melhores, a avaliar pelas notícias. Neste processo, a intervenção dos Professores deve e tem de ser acompanhada pela intervenção dos Pais e Encarregados de Educação, Assistentes de Acção Educativa, Administrativos, Directores, Gestores, etc, etc ….
Também este processo e todos os seus intervenientes devem ser alvo de procedimentos de avaliação, de uma forma rigorosa e exigente. Não estou aqui nem é o assunto que me traz aqui, falar das formas de avaliação. Mas que ela deve existir, disso não tenho a mais pequena dúvida.
Voltando ao assunto.

Li o artigo com atenção, e até dei por mim a quase conferir as contas que se encontram tão bem explicadas no mesmo artigo.
Quanto ao facto de que os Professores trabalham, em geral, muito, isso para mim também não tem grande questão. Trabalham muito os Professores, os Gestores, os Médicos, os Advogados, os Comerciantes, os Motoristas, … toda a gente trabalha muito. Toda a gente trabalha muitas horas. A questão é saber se as trabalham bem, se são eficientes, se produzem, atingem objectivos a que se propõem, entre outras coisas.

E o que seria, se cada um dos representantes destas classes profissionais, fizessem um artigo a dizer que trabalham muito, explicando as tarefas que executam, tempos médios de execução, periodicidades ou outros tantos itens de análise utilizados neste tipo de análise.
Estes profissionais, como tantos outros, trabalham muito e na sua grande, maioria trabalham bem …
Como em todas as profissões, há bons e maus profissionais …
Também nos Professores, há bons e maus professores …

Os Professores, trabalham grande parte do seu tempo, fora do seu posto de trabalho, que é a Escola, ou o Estabelecimento de Ensino onde exercem a sua profissão.
Por exemplo, e se recorrer a dados numéricos, considerando um professor com um horário de trabalho de 35 horas por semana, em que 22 delas são horas lectivas, de uma forma directa, temos:

i)             Das 35 horas de trabalho semanal, apenas 62,9% são horas lectivas;

ii)            Das 35 horas de trabalho semanal, 37,1% são horas de trabalho não lectivo;

iii)          Ainda um mais difícil de entender: as horas não lectivas correspondem a 59,1% das horas lectivas;

O que é que isto quer dizer?
Não pensem … Não necessitam de responder … Eu respondo.
Nada ... Achei que ficava bem, colocar aqui alguns números ...

Por isso, estranho este artigo, que me parece que pretende justificar o injustificável. A sociedade no seu geral reconhece que esta classe profissional, a dos Professores, é uma classe de extrema importância, digo mesmo fundamental para o seu desenvolvimento e sustentabilidade. Formam, criam o futuro do país.
Não é necessário vir a público justificar e informar que se trabalha muito.
Mas, se por algum momento, surgir alguma dúvida, então, deve esta classe criar ou implementar mecanismos que protejam a sua honra, que contribuam para a sua dignificação, esclarecendo o comum dos mortais de uma forma inequívoca.

Por exemplo:
a)    Exigir das entidades oficiais (Governo, Ministério da tutela, Direcções Gerais, etc), que sejam criadas as condições para que os Professores e restantes profissionais do sector, exerçam a sua actividade dentro do estabelecimento de educação de uma forma integral e digna, com a garantia que o fazem de uma forma eficiente, cumprindo o seu horário de trabalho na sua totalidade.

Quero com isto dizer, que a qualquer Professor, têm de ser dadas condições e instalações para que possa exercer o seu trabalho sem ter de, ir para casa e proceder à correcção dos testes e trabalhos em casa, ou elaborar os testes e planos de trabalho em casa, porque a sua escola não tem nem um gabinete onde possam estes profissionais, no fundo, trabalhar.

É que por causa desta dificuldade, para o comum dos mortais, o trabalho do Professor é apenas dar aulas. E estranhamente, quando em conversa, ou após a leitura do artigo, se diz que um determinado Professor tem 22 horas de aulas, então como conclusão imediata, ele só trabalha 22 horas por semana, isto é, 62,9% do tempo total de trabalho semanal. É que fazendo as contas, ainda lhe “sobram”, (está entre aspas de propósito), pelo menos 13 horas.

De notar ainda, que um Administrativo da mesma escola, trabalha 35 horas por semana, porque está presente, 35 horas no seu posto de trabalho.
Além disso, e como é do conhecimento geral, muitos dos Professores têm um dia, entendido por muita gente como sendo um dia de “folga”. (Também está entre aspas).
Para qualquer profissional do sector, este dia, é um dia que não é de folga, mas um dia em que o Professor não tem actividades lectivas, isto é, não dá aulas. Mas tem de trabalhar, exercendo e cumprindo com outras tarefas que são da sua responsabilidade.

Como não tem as tais condições de trabalho na escola, fica em casa, ou não.

No entanto, para o comum dos mortais, o Professor, tem um dia de descanso por semana. E na realidade, se vê o Professor do seu filho, a beber um café, a uma hora que normalmente está a dar aulas, então, esse Professor, está de folga… Não está a trabalhar.
E se em alguns casos, isso até poderá acontecer, a parte não é exemplo nem serve como comprovativo do todo… Mas o todo fica com a imagem da parte, e, como diz o povo, “paga o justo, pelo pecador”.
 
b)   Exigir, estabelecer planos de trabalho me funcionamento, de forma, a que as reuniões sejam dentro do período das 35 horas.
     Não façam reuniões aos Sábados…. Se não é dia de trabalho, então estabeleçam planos de trabalho diferentes.

É que assim, não há a desculpa, que têm de fazer horas extras e ninguém paga. Por um lado é verdade. Mas por outro lado, a imagem que por vezes passa para o comum dos mortais não é bem essa.
Nos períodos de férias lectivas, para os alunos, há sempre "professores" que também estão de "férias". Não vão para as escolas, trabalhar. Estou a falar da altura do Natal, da Páscoa, ou até das férias grandes... Tenho a certeza de que não são todos, até sei que são muito poucos, mas todos sabemos que existem casos desses, não vale a pena dizerem que não ... é mais um exemplo de "tiro no pé". É que esses professores, depois de contadinhos, têm mais dias de férias que os outros, e mais uma vez, "paga o justo pelo pecador", ou seja ... " os "professores" têm mais férias do que ...". É a ideia que fica, logo o comentário que se faz. As férias são para os alunos. 

c)    Exigir condições para que os testes, os trabalhos para os alunos, a fichas, …tudo, sejam feitos, integralmente nas instalações escolares, utilizando para isso os recursos aí existentes, como é o caso de computadores, impressoras, tinteiros, tonner’s, fotocopiadores, papel … sem terem de recorrer ao stock particular de cada um.

Em resumo, exijam que sejam dados recursos, como a qualquer profissional de outras áreas de trabalho, em que as entidades empregadoras têm a responsabilidade de fornecer todos os meios, materiais e equipamentos com vista ao bom desempenho e desenvolvimento da actividade.

A maior parte dos Encarregados de Educação, não faz a mais pequena ideia de como são fornecidos, ou quem fornece as simples folhas de papel onde se encontram redigidos os testes que os seus educandos têm de fazer.
 
Por fim, mas não menos importante, antes pelo contrário:

Exijam cumprir com desempenho e zelo a função para a qual são “especializados”; ENSINAR, FORMAR, EDUCAR …

… isto é,

exijam dar aulas … que já não é nada pouco, nem fácil.

Termos Professores a gerir as escolas em termos financeiros, é algo que me leva a levantar muitas questões. Não que eu duvide da honestidade ou idoneidade de cada um, mas apenas porque não é a sua área de conhecimento.

No meu entender, e em questão de Gestão, a Escola deve ser dirigida como uma empresa.

Ter um Director Geral, que pode ou não ser Professor, ter um Director Financeiro, que deverá ser da área de Economia ou Gestão, ter um Director de Recursos Humanos, de Instalações, que deverão ter formação específica nessa área, ter um Director de “Operações”, este último sim, PROFESSOR, porque deve saber de Pedagogia, deve perceber de Educação, Ensino, e todo um conjunto de matérias com vista à obtenção do melhor “produto” final.

E o melhor “produto” final, é um bom ensino, um ensino com qualidade, educandos bem formados, com conhecimento adquirido e sustentado. Alguém conhece uma máquina para fazer este tipo de "produto" final ?

São estas “peças” deste “produto” final, o sustentáculo do futuro do país, nas mais diversas vertentes. Não quero com isto dizer que as escolas ou estabelecimentos de ensino são mal geridos. Apenas quero dizer, que em muitos casos, os profissionais Professores, se encontram em palpos de aranha para cumprir com estas actividades e responsabilidades de gestão.
Vivo temporariamente num país em vias de desenvolvimento, após um longo período de guerra e de apenas 10 anos de paz. Aqui está-se a construir um país novo no meio de uma sociedade que se debate todos os dias com problemas sociais graves. Há meia dúzia de dias, vinha para o meu posto de trabalho, e na rádio estava-se a falar de figuras públicas, questionando-se o que era ser, quem seriam as figuras públicas.
E ainda no seguimento do CAN 2013 (Campeonato Africano das Nações), e das actividades a serem desenvolvidas agora durante o Carnaval, dizia um dos interlocutores, que um determinado jogador de futebol, era uma figura pública, falando até na questão do Cristiano Ronaldo.
E um dos responsáveis, ao ouvir que esse jogador ou o Cristiano Ronaldo eram figuras públicas rebateu, utilizando as seguintes expressões :

- Estás enganado … Esses jogadores como muitos cantores ou artistas, são figuras conhecidas … umas mais do que outras, mas apenas conhecidos dum público em geral.
Continuou ….

- Figura Pública, é alguém como um Médico ou um Professor …
Não se pode comparar. O que é que um cantor ou um jogador faz pelo futuro deste país. Nem se pode comparar.

Nem faço comentários…

Não é preciso, vir defender uma classe, que se impõe ou se devia impor, naturalmente, pela sua responsabilidade ou capacidade …
Não conheço, ou li, nenhum artigo, onde outra classe profissional, tenha vindo à praça pública, defendendo que trabalham muitas horas.
Agora que se exijam condições de trabalho … isso sim, várias classes de profissionais, várias vezes e bem …
Mais uma vez, e falando desta classe profissional, os Professores, no meu entender, não era necessário, não têm necessidade deste tipo de artigos…

Como em todas as classes profissionais, é importante, imprescindível que sejam dignificadas, reconhecidas … e que cada um de nós, seja exigente consigo mesmo, contribuindo na exacta medida das nossas responsabilidades para um futuro cada vez melhor, com mais qualidade de Vida, de modo a que todos, cada um à sua maneira, sejam considerados, nos consideremos, e vejamos em cada um dos profissionais … UMA FIGURA PÚBLICA …
E, quanto a mim, é em defesa disto que os PROFESSORES, devem lutar, devem exigir, devem gritar…
Defender a sua classe, defender a sua Dignidade enquanto classe, enquanto profissional, enquanto “elemento” de uma classe …

Devem todos quererem ser …. UMA FIGURA PÚBLICA …
Todos nós, devemos querer ser ...UMA FIGURA PÚBLICA...  de acordo com o conceito acima enunciado ...

Nota:   É apenas a minha opinião … O que aqui defendo, tento todos os dias colocá-lo em prática … É que eu também sou, um profissional 

1 comentário:

  1. Li atentamente e subscrevo inteiramente a tua linha de pensamento e cada um de nós tentar uma "Figura Pública" ao invés dos "figurões públicos".

    Devemos ser profissionais naquilo que gostamos e até naquilo que não gostamos (tudo se consegue) e ao longo da minha vida conheci Excelentes, Muito Bons, Bons, Suficientes, Péssimos e maus...porque infelizmente em tudo - e conforme dizes - há bom e mau.

    Cumpri quase 40 anos de carreira profissional (jamais professora para o qual não tive jeito e nos moldes actuais iria ter imensos problemas com a enorme falta de educação dos putos porque muitos pais delegam-se e entregam tudo na escola), avaliada anualmente, subi à minha custa sem nunca pisar colegas e hoje reformada dou a mesma educação aos netos que dei às filhas e ao deles que não saibam ouvir e aceitar um NÃO.

    Portugal está um desastre e caminhamos a passos largos...olha não sei...

    Parabéns e nunca deixes de dizer da tua justiça!

    Beijos deste país GELADO em todos os sentidos

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